Capítulo IV

CAPÍTULO IV

A CRIANÇA FERIDA COMO AZAZEL

Estruturação egóica sombria do Complexo do Bode Expiatório

O presente capítulo discutirá alguns aspectos da estruturação egóica do indivíduo ferido no qual o Complexo de Bode Expiatório é constelado, sustentando a premissa de que tais características são propiciadores para que a criança-ferida permita-se enredar-se em abusos contínuos, sejam sexuais ou físicos. Caberia ainda, relembrar que a presente discussão apoia-se na ideias de que toda criança-ferida vitimizada é o bode expiatório de seu grupo familiar ou social.

Logo, a criança-ferida identificada com Azazel em seu aspecto de Bode Imolado, deixa-se vitimar para aplacar a sombra familiar e/oi as dores da das crianças-feridas dos próprios pais. Outras vezes, como consequência do processo de abusos, passará a criança a vitimizar a si mesma, atuando como Azazel, o Perseguidor.

A criança-ferida na qual o complexo do bode expiatório foi constelado, apresenta uma inabilidade para desenvolver uma identidade e autoconfiança. Isto ocorre, segundo S. B. PERERA 53, devido à sobrecarga de elementos desvalorizados, negativos, reprimidos e dissociados de seus pais que são impostos à vivência da criança desde muito cedo. Ela é obrigada à lidar com as energias instintivas dissociadas, explosivas e amedrontadoras, oriundas do universo psíquico dos pais.

Por conseguinte, a própria criança-ferida tenderá à dissociar-se de suas próprias energias instituais, uma vez que não há espaço no âmbito familiar ou em seu mundo psíquico, para integrá-las. Presa às necessidades parentais, encontra-se exilada de suas próprias necessidades e demanda egóicas e do self. Energias instintuais dissociadas são, igualmente, na dinâmica psíquica e familiar dos pais que vitimizam física ou sexualmente seus filhos, pois é justamente a sombra de vivências eróticas e a sombra da agressividade contida que deflagram os episódios de abuso.

Este exilamento das próprias necessidades associadas à um precário senso de identidade, transformam a criança em presa fácil para ser abusada, seja em âmbito for. A criança enredada por sentimentos sombrios em relação a si mesma acaba por considerar-se indigna de respeito ou proteção.

Segundo S. B. PERERA 54, a identificação com o bode expiatório pode acarretar uma inibição em determinados aspectos do desenvolvimento egóico, o que possibilita a emergência dos arquétipos da vítima alienada, fragmentária e passiva, com o concomitante uso dos papéis do Servo Sofredor e Salvador. A criança-ferida vitimizada portanto, trará a crença inconsciente que sua dor redimirá seus pais. Conforme foi discutido em capítulos anteriores, a criança abusada deixa-se abusar em silêncio e em segredo, acreditando que desta forma está contribuindo para a “harmonia do lar”, uma vez que percebe que o abuso acaba por “equilibrar” o agressor e consequentemente, ameniza o desequilíbrio familiar.

Esta atuação sob a égide da vítima e do salvador, pode acarretar uma distorção nos vínculos afetivos que a criança-ferida estabelece com os pais, e, a percepção que possui dos abusos, podendo leva-la à uma vida de vitimizações contínuas, conforme descreve S. B. PERERA 55:

[O mal, (…) não é percebido com suficiente objetividade, e os indivíduos identificados com o bode expiatório poderão desta forma, ter de encarar situações intoleráveis sem estarem preparados, ou como se estivessem protegidos por uma ingenuidade ainda pueril. Podem, inclusive, considerar fascinante essas situações e serem compelidos a retomar o abuso, na intenção de descobrir o bom pai e a boa mãe que poderiam (…) ser redimidos.]

Caberia refletir neste universo de afetos sombrios sobre a manobra psíquica que a criança-ferida vitimizada precisa fazer para conviver com a dor de ser maltratada pelas figuras amadas. A dissociação dos sentimentos, a cisão e a distorção de sua percepção da realidade, em maior ou menor graus, são inevitáveis.

No que se refere ao manejo da realidade e da existência, S. B. PERERA 56, propõe quatro modalidades de ação que o complexo do bode expiatório faz emergir, afetando áreas específicas de contato e de intervenção com a realidade. Caberia enfatizar, no entanto, que as quatro modalidades de ação descritas e que à seguir serão explicitadas, encontram-se em consonância com alguns dos comprometimentos que a criança-ferida, em função dos abusos, passa a apresentar em sua vida. Alterando portanto:

            [1.- A percepção e a consciência, ou seja, o modo como o indivíduo percebe e forma a experiência;

            2.- A habilidade em conter e em suportar o sofrimento;

            3.- A capacidade de auto-afirmação do indivíduo;

            4.- A capacidade de satisfazer carências.]

            Sob a ação do complexo, a criança-ferida passa a ter uma percepção distorcida dos eventos e das pessoas que as cercam. A percepção da dor e do prazer, inicialmente são vivenciada com maior intensidade, uma vez que compartilham da vivência das carências parentais adultas, ocorrendo portanto, uma superestimulação.

Há uma tendência no indivíduo de permanecer preso aos níveis de percepção e intensidade mágicos iniciais, o que confere às crianças-feridas a capacidade de penetrar através da persona, uma vez que encontram-se em contato com os extratos mais profundos da psiquê. Conforme foi visto em capítulos precedentes, o personagem Zezé, maltratado pelo pai, demonstrou conhecer suas angústias com tão expressiva sensibilidade, que desencadeou no pai uma fúria assassina, a expressão do lado sombrio entorpecido.

Esta possibilidade de percepção inconsciente dos aspectos mais sutis da existência, leva muitas vezes as crianças-feridas à severas punições, desencadeando à longo prazo, uma necessidade de ocultar dos outros e de si, as mazelas humanas que vislumbra. Conforme delata S. B. PERERA 57:

[Em virtude de despertarem um desconforto inconsciente, suas percepções podem ser desconsideradas ou negadas, enquanto elas próprias são repreendidas e rejeitadas, o que as leva a sentir um incômodo comparável àquele despertado nas pessoas através das quais elas parecem enxergar.]

E acrescenta ainda a autora 58, [o aspecto terrível do self’, o olho de Deus, é projetado na criança, temida como portadora de ideais inalcançáveis.] Tal concepção pode constituir-se numa das hipóteses para explicar a inaceitável tragédia da vitimização infantil.

Numa identificação com Azazel, o Perseguidor, a criança-ferida pode efetivamente desenvolver uma percepção idealizada da realidade, na qual esta será vista sob a ótica de uma deformadora rigidez, que equipara consciência e julgamento. A criança-adulto-ferida passará a avaliar a vida a partir de máximas absolutas de bom e mau. Nada mais será neutro, tudo estará fadado à cisão bem/mal. O norteador dos julgamentos, no entanto, serão as avaliações coletivas, parciais e negativamente críticas, destituídas de uma avaliação pessoal discriminativa, conforme propõe S. B. PERERA 59, [ideias que se assemelham à julgamentos (…) são mutáveis como dunas de areia sem a participação do ego.] Logo, acrescenta a autora 60, [a vitalidade proporcionada por uma visão que descreve e experimenta objetivamente, capaz de enxergar e aceitar o todo, fica perdida.]

            Importante salientar que como a dinâmica do bode expiatório está associada à aspectos sombrios do humano, as percepções do indivíduo tendem a estar centradas no negativo, dificultando ao indivíduo distinguir percepção objetiva de crítica destrutiva. Este aspecto dificulta a interação da criança-adulto-ferida na sociedade, corroborando as ideias de exílio e rejeição, as quais imagina estar fadado.

Ideais perfeccionistas, igualmente o exilam de si e dos outros, aliando-se à tirania do “ter de”, descrito por K.HORNEY in S. B. PERERA 61, compondo [modelos tirânicos abstratos codificados como modelos de comportamento da persona.] Este processo de atender ideais de conduta concebidos pela moral coletiva, leva a criança-adulto-ferida a agir de forma a atender à multiplicidade dos objetivos díspares da persona, sem levar em consideração os talentos e a capacidade próprios do indivíduo.

Munidos destes ideais perfeccionistas, o bode expiatório estabelece nas suas relações interpessoais, dois sistemas de avaliação dos indivíduos e de si próprios:

1.- A criança-adulto criança sente-se julgada segundo os ideais e modelos condenatórios do acusador interno. Isto gera uma condição de deploráveis e culpados, identificados com o fracasso, trazendo permanentemente consigo sentimentos de incômodo, com a concepção de estarem invariavelmente erradas;

2.- A criança-adulto-ferida, em contraposição, julga os demais pelos padrões do Salvador e Redentor, compreendendo-os até o limite do sentimentalismo. Perdoam nos outros, inclusive o que condenam em si próprios.

Este modelo duplo, ou seja, dois sistemas de avaliação, segundo S. B. PERERA 62: [Constitui uma das raízes tanto da confusão, como do ódio masoquista a si próprio, características do complexo.]

Numa analogia com a criança-ferida vitimizada, este duplo sistema de avaliação se faz presente, uma vez que a criança tende a acusar a si própria pelo abuso, julgando-se culpada e deplorável, buscando meios, no entanto, de desculpabilizar os agressores parentais, perdoando-os. Como ocorre na dinâmica do Complexo, esta manobra psíquica acarreta o retorno da raiva contra o próprio indivíduo-ferido, que poderá passar a sentir a força compensatória, terrível e grandiosa, de sua identificação com o mal. Aqui pode estar o germe para a transformação da criança-aulto0ferida em Azazel, o Perseguidor, apto a buscar uma vítima para aplacar sua dor.

Outra característica das relações interpessoais estabelecidas pelas criança-adulto-feridas consiste, nas palavras de S. B. PERERA 63, na [diabólica ilusão de que alguém possa ser inteiramente bom e desprovido de sombra.] E acrescenta ainda, [isto porém, deve ser encarado como uma defesa e um sonho impossível.] regidos pela Idealização Primitiva, na qual habitam pessoas absolutamente boas e pessoas absolutamente más.

Importante relembrar o quanto esta visão cindida da vida e da humanidade é corroborada pelo anseio cristão, descrito no capítulo referente ao mal intrínseco na natureza humana. Importante ainda, relembrar o quão danoso pode ser para o indivíduo e para seu grupo a crença no bem absoluto, uma vez que ser ingênuo, que não possuir a “sabedoria da serpente”, pode enredar-se em situações perigosas e destrutivas.

A criança-ferida abusada física ou sexualmente, muitas vezes, é vitimizada em segredo, em função de por vezes, não acreditar na maldade do agressor, entorpecendo sua dor numa ingenuidade defensiva, que a faz crer na bondade absoluta dos pais, ou seja, que se seu pai diz que a ama e que carícias são comuns entre as pessoas que se gostam, ela ela vai acreditar.

No que tange ao item que trata da Habilidade em conter e em suportar o sofrimento, outra modalidade de ação explicitada por S. B. PERERA 64, caberia enfatizar que a criança-ferida na qual o complexo do bode expiatório foi constelado, devido a incapacidade de seus próprios pais de mediar as emoções e frustrações avassaladoras, tendem a sentir-se inseguras e desprotegidas.

Sentimentos corroborados pela incapacidade do ego corporal em resistir à dissociação, estando vulnerável à fundir-se ao meio ambiente ou a ser dominado por forças inconscientes, uma vez que seu corpo desconhece os toques afetivos constitutivos do corpo e alicerces da alma, devido a imersão num meio parental e familiar que traz o ser tocado e o tocar, tanto à nível físico como emocional, como tabus.

Estes sentimentos de desproteção, ameaças a sua integridade e ausência de toques afetivos, poderá levar a criança-ferida à experimentar rupturas debilitadoras no seu sentido de identidade contínua. Tal situação psíquica igualmente, tende à comprometer as vinculações afetivas posteriores, levando a criança-adulto-ferida à uma desconfiança permanente das pessoas, principalmente quando na relação há uma possibilidade de sentir-se acolhido com segurança. A criança-ferida foi traída em seu ancoradouro primeiro, e teme aventurar-se em novas paragens afetivas, optando pelo exílio em mares sombrios, distantes e solitários.

A concepção de dor para o bode expiatório é bastante peculiar, o que o leva a erigir determinados pressupostos mentais capazes de enredá-lo ainda mais em sua dor e exílio.

– Concepção da dor enquanto punição, ideia suscitada pela capacidade do indivíduo de assimilar a sombra parental ou familiar projetada em si;

– A percepção da dor como atestado de inferioridade e rejeição;

            – A crença de que conforme delata S. B. PERERA 65, [nenhuma experiência poderá ser vivida em profundidade e nenhum relacionamento com um outro exterior poderá desenvolver-se, pois qualquer abertura poderá acarretar mais sofrimento.]

            – E acrescenta a autora, [dissociação, negação ou impulsividade inconscientes são a regra, sendo impossível um desenvolvimento da consciência do ego quando se tem uma evasão automática da experiência.]

            Importante recordar as dissociações da realidade, com frequentes perda da memória, características nos casos de Abuso Sexual Incestuoso, nos quais o ego passa a adotar o mecanismo defensivo de evadir-se de situações ameaçadoras e conflitantes.

– Tanto a criança-ferida abusada sexualmente como nos casos de constelação do bode expiatório, há uma dificuldade do ego de suportar desconfortos, bem como, de avaliar a intensidade deste sofrimento com objetividade. A perda da capacidade de mensurar suas próprias necessidades ocorreu muito cedo em sua vida, e logo também, o ego estruturou mecanismos defensivos para entorpecer suas dores. Desse modo, argumenta S. B. PERERA 66, [quando sente qualquer conflito ou ansiedade legítimos, o indivíduo reage com onipotência e impaciência, dedicando-se concretamente a controla-los, removê-los, desfazê-los, evita-los ou alojá-los.]

            – logo, poder-se-ia falar sobre incapacidade de enfrentar o sofrimento; conceito aparentemente, um tanto paradoxal, em se tratando de crianças-adultos profundamente feridas pelo sofrimento prematuro. Nas elucidações de S. B. PERERA 67: [a pessoa atingida pelo complexo do bode expiatório, identifica-se com o sofrimento, inflacionado de maneira sensível e negativa, sentindo-se responsável tanto pela sua existência, como pela sua emoção concreta. (…) A possibilidade de tomar consciência da dor e de suportar sua presença, por vezes, inevitável, sem, todavia, identificar-se com ele, ainda não existe.]

            Igualmente, quão longo é o caminho a ser percorrido até o instante em que a criança-ferida vitimizada, encarcerada do adulto-ferido, possa chorar suas dores. Por defesa estes seres feridos desenvolvem uma dificuldade de aceitar o legítimo fardo da vida, permanecendo muitas vezes cativos aos episódios debilitantes do passado.

No item referente a capacidade de auto-afirmação do indivíduo, S. B. PERERA 68, define a angústia da criança-ferida em relação a sua própria existência: [tendem a negar seu instinto autoprotetor de evitar abusos, com o intuito de melhor se adequarem ao papel que lhes foi designado.] Temem exigir da vida e serem punidos por isso, uma vez que concebem auto-afirmação e sua agressividade positiva decorrente, como atributos negativos.

Os pais destas crianças-feridas destruídas em seu direito de afirmação e escolha, invejam a força e a vivacidade da criança escolhida, personificação de Azazel, o bode original iluminado e transcendente, uma vez que sobre ela pairam cruéis idealizações de perfeição, ditadas por Azazel, o Perseguidor, numa atuação já deturpada do arquétipo. Também inveja e idealização destroem a relação da criança-ferida estigmatizada com seus instintos de auto-afirmação e dependência. A criança encontra-se presa numa cadeia de vínculos múltiplos, o que a torna confusa em relação a si própria e a vida.

Desta forma vulnerável, torna-se difícil para a criança-ferida vitimizada interromper ou denunciar os abusos a que está sendo submetida, pois apresenta dificuldade de discernir o que realmente lhe pertence na sua existência pseudo-individual, conforme delata uma criança-adulto-ferida em S. B. PERERA 69: [Estou o tempo todo confusa, sem saber o que é meu e o que não é.]

No que se refere à satisfação das carências, a precária ligação que estabelece com o ego-corporal e com as próprias necessidades definem uma dinâmica de desejos bastante comprometida. O desejo tende a apresentar-se aviltado, desvalorizado e/ou reprimido, uma vez que há a atuação de um superego, ou Azazel, o Perseguidor, opondo-se à satisfação das carências, dos prazeres da carne, da dependência. Este aspecto repressor, tende a considerar as carências como complacências egoístas, fracas, vergonhosas, cúpidas e inadmissíveis. Ainda nas palavras de S. B. PERERA 70: [o ego-alienado concorda com essa privação punitiva imbuído de um senso de estóica altivez, ocultando a carência e a dependência dissociadas do ego-vítima.]

            Para burlar este controle de inibição do desejo, o ego precisa lançar mão de mecanismos que possibilitem a emergência velada de algumas solicitações que garantam a sobrevivência. Para tanto, passa a edificar comportamentos que consistem em solicitações veladas e em solicitações negadas, em exigências mágicas, em satisfação através da autopunição e em anestesia de carências. Mecanismos que ludibriam as proibições do acusador.

            Uma expressão camuflada do desejo de ser cuidado e acolhido, encontra-se na atuação do Bom Samaritano, ou seja, a criança-adulto-ferida faz ao outro o que gostaria que lhe fizessem, satisfazendo suas necessidades pelo mecanismo da proteção.

A criança-adulto-ferida rejeita qualquer situação possível de lhe ser prazerosa, com medo de ser rejeitado. Se rejeitar primeiro não corre o risco de ser rejeitado. S. B. PERERA 71, esclarece este medo de rejeição na seguinte equação psíquica:

[No nível mágico, em que a parte é temida pelo todo, o indivíduo se identifica consigo mesmo e rejeita a si próprio em cada solicitação. Aqui, a solicitação explícita parece colocar em risco o solicitante.]

Em suma, continua a autora 72, para sobreviver a criança-ferida desenvolve uma Anorexia Emocional, buscando anestesiar por completo seus desejos, necessidades ou aspirações:

[Na extremidade do espectro repressivo temos a anestesia das carências. Nesses casos, a pessoa identifica-se com os imperativos demoníacos do acusador contra a satisfação da carência, dissociando-se a fim de impedir que as mensagens do corpo atinjam a consciência.]

            Este processo que pode ser denominado de Anorexia Existêncial, pode induzir o ego à elaborar mecanismos de sobrevivência deturpados, perfazendo um modelo de destrutividades para consigo próprio e para o coletivo, conforme explicita ainda S. B. PERERA 73:

[O eu desamparado pode agir de formas inimagináveis, até mesmo antissociais, desde furtar aquilo que deseja – abertamente ou através de manipulação – até enredar-se em ligações vampirescas.] Algumas formas desesperadas de lidar com a dor das carências e das feridas, serão apresentadas sob o título Mecanismos de Destruição, concebido no presente trabalho como uma alternativa de sobrevivência.

O próximo capítulo pretende discutir a dinâmica da vítima sacrificial, igualmente um mecanismo coletivo de dissimulação da sombra, que elege vítimas expiatórias, dentro de um acordo grupal que, aparentemente ludibria a necessidade humana de vingança. Sobre esta última, no entanto, a discussão apresentará algumas reflexões necessárias.

  1. Op. Cit. p. 41.
  2. Idem. Ibdem.
  3. Op. Cit. pp. 49-50
  4. Op. Cit. pp. 47-51
  5. Op. Cit. p. 48.
  6. Op. Cit. p. 49.
  7. Op. Cit. p. 50.
  8. Idem, Ibdem.
  9. Op. Cit. p. 52.
  10. Op. Cit. p. 53.
  11. Idem, Ibdem.
  12. Op. Cit. p. 61.
  13. Op. Cit. p. 62.
  14. Op. Cit. p. 64.
  15. Idem, Ibdem.
  16. Op. Cit. p. 74
  17. Op. Cit. p. 53.
  18. Op. Cit. p. 92.
  19. Op. Cit. p. 94.
  20. Op. Cit. p. 97
  21. TOTEM E TABU. 71. Op. Cit. p. 94.
  22. Op. Cit. p. 97
  23. TOTEM E TABU. Rio de Janeiro. 1974. P. 32.