Transtornos de Personalidade: um sofrido “jeito de ser”

A personalidade pode ser entendida como nosso “jeito de ser” e é composta pelas características que nos definem, a forma como percebemos e nos colocamos no mundo. Cientificamente, há um consenso de que a personalidade é uma combinação de fatores biológicos e ambientais, mas ainda não foi possível mensurar o impacto ou o grau de influência que cada componente exerce sobre a formação da personalidade. Logo, um processo de contínuas adaptações ao meio vão sendo realizadas no decorrer da vida e a personalidade igualmente, encontra-se em permanente transformação.
Já o conceito de transtorno, por sua vez, ganha contornos diferentes a partir das condutas de convivência ditadas por cada época e cultura, desta forma, o que no século XIX, poderia ser considerado “recato”, no século XXI, pode ser taxado de “timidez”. Portanto, o conceito de transtorno de personalidade foi sendo construído e modificado, a partir das diferentes concepções sociais e científicas acerca de perturbações, saúde e doença. A partir da presente discussão, podemos concluir que o conceito de doença, também sofreu alterações, tratando-se atualmente de algo que pode ser diagnosticado por sintomas específicos, etiologia e certa previsão de curso, o que não se aplica aos transtornos, que não possuem uma causa específica ou previsível, e tampouco, medicações que os possam curar.
No que se refere especificamente aos transtornos de personalidade é importante enfatizar que, além de não se tratarem de doenças passíveis de serem curadas, referem-se à personalidades disfuncionais, com “jeitos de ser” conflitantes, ou seja, é necessário compreender que a pessoa não está com algo que irá passar com o uso de medicamentos , pois a pessoa “funciona” de uma maneira não adaptativa e com dificuldades psicológicas que prejudicam seu desenvolvimento afetivo e suas interações sociais. Podem ser chamados de “estilo” de personalidade, conforme os denomina Vicente Caballo, especialista no assunto, ao alertar: “Compreendê-los não é fácil. Mas, a partir do adequado reconhecimento de seus padrões comportamentais, é possível aceita-los e, com isso, estabelecer uma convivência menos difícil e conflituosa.” (1, pg. 62) Logo, tratamentos psicológicos e psiquiátricos adequados às suas demandas, podem trazer expressivos benefícios para a melhoria da qualidade de vida de todos os envolvidos.
O que caracteriza o transtorno de personalidade é a rigidez e inflexibilidade de algumas características do indivíduo e sua permanência no tempo, que acabam por tornar-se crônicas e disfuncionais. Para ter certeza de que se trata de transtorno de personalidade, a pessoa deve apresentar um número pré-estabelecido de sintomas, com uma frequência determinada em período de tempo duradouro, e, esses parâmetros de avaliação e mensuração são fornecidos tanto pelo DSM 5 – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais quanto pelo CID 10 – Código Internacional de Doenças. Faz-se necessário enfatizar que o diagnóstico de transtorno de personalidade, é uma tarefa complexa, na qual muitos fatores devem ser considerados, uma vez, que podem apresentar comorbidade com outros transtornos mentais e cujo diagnóstico diferencial deve contar com avaliações abalizadas, realizadas por equipes profissionais competentes.
A presente discussão portanto, visa oferecer algumas características de personalidade predominantes em cada transtorno, com o intuito de auxiliar as pessoas que convivem com indivíduos que, por suas limitações, inabilidades e inadequações, se tornam tóxicos a si mesmos e aos outros, mas que ao serem compreendidas e devidamente tratadas, podem adquirir habilidades para melhor conviver, diminuindo o impacto dos danos emocionais que geram.
Os Transtornos de personalidades são divididos em 10 tipos, subdivididos em três grupos, à saber A, B e C, conforme a explicação que segue (2, pg.742): Os subtipos de transtorno da personalidade classificados no DSM-5 são esquizotípico, esquizóide, e paranoide (Grupo A); narcisista, borderline, antissocial e histriônico (Grupo B); e obsessivo-compulsivo, dependente e evitativo (Grupo C).
Os três grupos baseiam-se em semelhanças descritivas. O Grupo A inclui três transtornos da personalidade com características estranhas ou de afastamento (paranoide, esquizoide e esquizotípica). O Grupo B inclui quatro transtornos com características dramáticas, impulsivas ou erráticas (borderline, antissocial, narcisista e histriônica). O Grupo C inclui três transtornos que compartilham características de ansiedade e medo (evitativa, dependente e obsessivo-compulsiva). Indivíduos frequentemente exibem traços que não se limitam a um único transtorno da personalidade. Quando um paciente satisfaz os critérios para mais de um, o clínico deve diagnosticar cada um deles, bem como, deve verificar se não existem outros transtornos associados.
No intuito de melhor representar esse complexo quadro de perfis, por vezes com diferenças bastante sutis, recorremos à autora Katia Mecler (2, pg. 01), que através de algumas frases busca retratar as demandas e características da cada um dos 10 transtornos de personalidade:
“Esquizóide: ‘Não levaria ninguém para uma ilha deserta.’
Esquizotípico: ‘No limite.’
Paranóide: ‘De olhos bem abertos.’
Antissocial: ‘Os fins justificam os meios.’
Borderline: ‘Por um fio.’
Histriônico: ‘Minha vida daria uma novela.’
Narcisista: ‘Sabe com quem está falando?’
Dependente: ‘Por você eu largo tudo.’
Evitativo: ‘Na moita.’
Obsessivo-compulsivo: “Linha dura.’”
Com o cuidado de evitar rótulos e discriminações, a apresentação das principais características dos transtornos de personalidade tem como objetivo divulgar e discutir comportamentos incompreensíveis e rígidos prevalentes em determinadas pessoas e que causam muito sofrimento emocional tanto para si mesmas quanto para as pessoas com as quais convivem e lhes sofrem a influência.
Lembrando que traços de personalidade podem variar em diferentes graus, partindo de disfunções mais brandas à estados mais graves que proporcionalmente comprometem a independência e a qualidade de vida dos indivíduos desta forma diagnosticados. E muitas desta características podem estar presentes nas pessoas ditas “neurotípicas”, ou seja, nas pessoas ditas “normais”. À seguir, serão apresentados os principais traços dos dez transtornos de personalidade atualmente classificados:
Grupo A
Há pessoas com traços esquizóides, que apresentam uma expressiva dificuldade de estabelecer vínculos, mesmo com pessoas significativas de sua vida, preferindo atividades solitárias à conviver com as pessoas. Por ter reduzido contato com suas emoções, bem como, apresentar um precário repertório comportamental para expressá-las, age “como se…”, “como se sentisse…”, dando a impressão de que seus atos não passam de representação teatral, acarretando um tom superficial e falso ao seu comportamento, gerando interpretações errôneas a seu respeito. Nesse contexto inexpressivo, sua expressão facial igualmente, costuma ser neutra ou congelada, podendo ser interpretada como arrogância e/ou indiferença, o que pode gerar bullying ou rejeição social.
Compreender que seu distanciamento afetivo e social não se trata de uma rejeição pessoal, mas de uma dificuldade de contato e que seu isolamento é uma necessidade e não um ato de hostilidade, pode facilitar a convivência com eles.
Há o Transtorno de Personalidade esquizotípico, no qual, junto a uma dificuldade de interação social, surge a construção de um mundo imaginário próprio, com o predomínio do pensamento mágico, que costuma causar estranheza nas pessoas que com eles convivem, induzindo-os a se refugiarem ainda mais em seu mundo paralelo. Suas preferências e interesses pouco convencionais podem produzir um estilo de vida aparentemente excêntrico, composto por ideias e vestuário peculiares, que provocam críticas e retaliações sociais. Tolerância e acolhimento é o melhor maneira de conviver com essas pessoas “peculiares” e, ao perceber, que o distanciamento da realidade esteja se acentuando, encaminhá-lo para avaliações psiquiátricas adequadas.
Ambos os transtornos, esquizoides e esquizotípicos, encontram-se na porção leve do espectro que pode apresentar no seu extremo a esquizofrenia propriamente diagnosticada.
Em indivíduos com transtorno de personalidade paranóide há o predomínio da desconfiança, com a percepção dual do mundo, dividido entre o “bem” ou o “mal”, envolvendo seus relacionamentos num ar de suspeitas, repleto de suposições de traições e rejeições que não condizem com as reais intenções das pessoas que com eles convivem. Constantemente, encontram-se em alerta, observando e controlando. Características de cautela e reserva adequada para entrar em relacionamentos são recomendáveis, mas pessoas com traços paranoides são excessivamente desconfiadas e tendem a se sentirem traídas e enganadas, podendo se tornar ciumentas e possessivas.
Essas pessoas possuem sensibilidade exagerada à críticas e qualquer elogio feito a outra pessoa, são encaradas como menosprezo e rejeição às suas próprias habilidades. A percepção de si mesmas, oscila entre sentimentos de baixa auto estima, vendo-se como preteridas ou rejeitadas, e, sentimentos de grandiosidade, como se possuíssem atributos especiais, vendo a si mesmas como alvo de inveja e perseguição.
Difícil a convivência com pessoas permanentemente desconfiadas, pois são facilmente passíveis de se tornarem rancorosas, ciumentas e vingativas, sem uma explicação razoável, costumando não reconhecer ou assumir responsabilidade pelos próprios sentimentos,mais especificamente em se tratando de sentimentos negativos, atribuindo-os aos demais.
Caso esteja se relacionando com uma pessoa com traços paranoides, zele pela transparência, evitando jogos amorosos ou brincadeiras jocosas que o deixem ameaçados e inseguros.
Grupo B
No transtorno de personalidade borderline, há o predomínio da impulsividade e instabilidade, uma vez que as emoções estão continuamente “à flor da pele” e suas reações costumam ser desproporcionais aos eventos que as desencadearam. Pela dificuldade de gerenciar suas emoções, as crises borderline podem assumir caráter autodestrutivos, como comportamentos de automutilação e pensamentos suicidas, agravados por tendências impulsivas, fatores que oferecem riscos e requerem atenção e cuidados.
Pessoas com transtorno de personalidade borderline, devido a sua instabilidade emocional apresentam dificuldade de aderirem à rotinas, regras e a assumirem responsabilidades. Inclusive a adesão à tratamentos especializados esbarra na dificuldade que apresentam de se comprometerem e de assumirem a responsabilidade por si mesmos e pelos seus atos.
Por seus comportamentos desmedidos e, muitas vezes, constrangedores, a ameaça de abandono em seus relacionamentos são frequentes, pois o medo e a possibilidade de abandono ou rejeição são situações passíveis de desencadear reações violentas, uma vez, que os pacientes borderline apresentam expressiva dificuldade de lidar com separações impostas pelo outro. Com baixa resistência à frustração, usam de diferentes estratégias, como vitimização, manipulação, sedução e agressão, para fazer valer suas vontades.
Sua percepção polarizada pode levá-los a considerar as pessoas com as quais convive variarem de divinos à profanos em pouco tempo. Igualmente, da docilidade podem passar à fúria em poucos minutos, logo em seguida, voltando a calma, como se nada tivesse acontecido.
Essa “gangorra emocional” pode desestabilizar as pessoas que com os “border” convivem, por isso, manter o equilíbrio e não deixar-se levar pelas suas emoções extremadas, podem garantir certa estabilidade aos envolvidos.
As pessoas com transtorno de personalidade antissocial podem também ser chamadas de “parasitas e predadores” (2, pg. 123), pois são desprovidas de sentimentos de culpa e, incapazes de sentir empatia, costumam violar os direitos dos demais, usando-os para satisfazer seus desejos.
Suas estratégias para submeter as vítimas são a sedução, a manipulação, a coação, a subversão, a transgressão, chegando mesmo a agressão física se necessário. Por sua frieza e insensibilidade, costumam deixar um rastro de destruição por onde passam. Sua transgressões podem variar de delitos simples à crimes hediondos, dependendo do grau de seu comprometimento.
O comportamento antissocial é alvo de intenso interesse e fascínio, por envolver a ação predatória e destrutiva com um componente de sedução e encantamento que o torna temido e envolvente ao mesmo tempo.
Por conta de sua sedução ainda, conseguem entrar na vida das pessoas, conquistar-lhes a confiança, devasta-las financeira e/ou emocionalmente e sem arrependimento, descartá-las para buscarem novas aventuras e vítimas.
São parasitas portanto, porque somente veem seus próprios desejos, como os vampiros e zumbis, que sugam a vida das vítimas para garantirem sua subsistência.
Igualmente intrigante é a sua capacidade de infringir as leis, como se estas não fossem feitas para serem cumpridas por pessoas como eles. Por apreciarem desafios e serem irresponsáveis costumam se envolver em situações de risco, burlando regras, descumprindo contratos e abusando de pessoas.
Caso não seja possível afastar-se de pessoas com essas características antissociais, é preciso manter-se atento e determinado a não ultrapassar seus limites de valores e de respeito a si próprio, defendendo-se das artimanhas e seduções de propostas abusivas e que corrompam a sua integridade moral.
Com muita habilidade, na fase da sedução, costumam passar por “salvadores”, “protetores” e “benfeitores”, perscrutando as expectativas e fragilidades de suas vítimas para ganhar-lhes a confiança, usurpá-las e depois descartá-las.
No transtorno de personalidade narcisista, predomina a persistente necessidade de admiração e bajulação e, para tanto, os narcisistas passam a recrutar e subjugar possíveis admiradores. Dentro de seu universo narcísico, todos estão a serviço de seus interesses e não reconhecem qualidades a não ser em si mesmas. Costumam se vangloriar de seus feitos mesmos quando não condizem com a realidade. Suas relações são baseadas no “uso” das pessoas que lhes podem ser úteis.
Pessoas com transtorno narcisista possuem egoísmo extremo com expressiva dificuldade de reconhecer as pessoas próximas como indivíduos separados de seus interesses, usando-as para atender seus caprichos. Nos diferentes relacionamentos que estabelecem, imprimem uma característica abusiva e predatória, usando da prerrogativa do afeto ou da dependência da suposta vítima e de sua vulnerabilidade para enredá-la em suas armadilhas. Movidos, portanto, por um anseio de poder, fazem uso de estratégias de dominação, lançando mão de quaisquer subterfúgios para submeter as pessoas que lhes interessam dominar. No chamado “enredamento abusivo”, o narcisista faz uso das vulnerabilidades, dos ideais e sonhos da vítima, tornando-se capaz de de realizar e corresponder a qualquer uma de suas expectativas. Somente no decorrer e no avanço da intimidade, o abusador vai expandindo seus tentáculos, fragilizando e capturando sua vítima.
No transtorno de personalidade histriônico, as pessoas apresentam uma necessidade exagerada de se sentirem o centro das atenções, fazendo uso de comportamentos sedutores para atingirem seu intento. Buscam impressionar os demais seja exagerando ou teatralizando suas emoções, na sua avidez por aprovação e elogios. Costumam desmerecer as pessoas com a quais convivem pela necessidade de que suas experiências soem mais importantes e especiais. O comportamento excessivamente provocante aliado à sua dificuldade de estabelecer relações íntimas, acaba por confundir seus parceiros, que não encontram a sexualidade ativa e agressiva com as quais foram seduzidos, uma vez que personalidades histriônicas podem fazer uso da sexualidade apenas para se manterem atraentes e desejáveis, sem conseguirem usufruir de real intimidade.
Por serem instáveis emocionalmente, egocêntricos e vaidosos, seus relacionamentos afetivos igualmente são superficiais, já que desconhecem suas reais necessidades emocionais e existenciais, fazendo uso, portanto, dos mecanismos de defesa como dissociação e repressão para evitarem entrar em contato com seus sentimentos.
Pelo desconhecimento de si mesmo, carência e vulnerabilidade social, tendem a ser crédulos e ingênuos, apegando-se muito rapidamente à pessoas e situações que nem sempre são recomendáveis ou seguras.
Grupo C
No transtorno de personalidade evitativo, as pessoas apresentam medo de rejeição, com um padrão difuso de inibição social e excessiva sensibilidade à críticas e avaliações negativas. A vergonha, a timidez e o sentimento de inadequação estão sempre assombrando suas interações sociais, aliados à um desejo de convivência e pertencimento. Logo, o medo do ridículo e de tornar-se inconveniente leva essas pessoas a evitarem expressar seus desejos, externar opiniões ou a lutarem por qualquer tipo de reconhecimento pessoal ou profissional. Por isso, evitam situações que as coloquem vulneráveis a supostas avaliações, como falar em público ou engajar-se em atividades ou profissões de destaque, fator que restringe suas conquistas e realizações.
A busca de aceitação e afeição, mesclada aos sentimentos de menos valia e ao temor a rejeição, costumam gerar ansiedade, comportamentos de esquiva e a interpretar a reação dos demais como depreciativas e negativas. Sentem-se ameaçadas portanto, frente aos (des)conhecidos, à situações imprevistas e frente a si mesmas.
No transtorno de personalidade dependente, as pessoas tendem a estabelecer relações com caráter simbiótico, nas quais o desejo de fundir-se ao outro está presente, com uma dificuldade de permanecer sozinho e assumir a própria vida. Dependência, submissão, insegurança, passividade estão à serviço do pertencer a alguém, no afã de ser conduzido e sustentado afetivamente por outra pessoa. O medo do abandono as anula, portanto, e as tornam impotentes, exclusivistas e passíveis de se tornarem “vítimizadas”, manipuladoras e “asfixiante”.
No Transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo, há uma tentativa de evitar excessos, de manter as situações sob controle, de prever imprevistos, e para tanto, listas, planilhas e regras são estabelecidas para manter o controle absoluto sobre tudo. A perfeição é um objetivo almejado, apesar de quase sempre inalcançável, e, pelo rigor e o preciosismo que impõem na execução de suas tarefas, acaba por não concluí-las ou por frustrar-se pela qualidade aquém de suas expectativas de perfeição.
A meticulosidade, organização e planejamento estão sempre permeando qualquer tarefa ou evento, sejam compromissos profissionais ou simples reuniões familiares ou de lazer. Momentos de descontração ou espontaneidade não podem coexistir com rigidez e controle excessivos, por isso, são pessoas que estão constantemente com a sensação de exaustão e sobrecarga ou de não estarem sendo boas o bastante. Por serem extremamente exigentes consigo mesmas e com os demais, possui uma dificuldade de elogiar ou reconhecer que algo está à contento. Portanto, dúvidas acerca de seu real potencial e capacidade para executar alguma tarefa, estão sempre presentes.
Hierarquia, ordem e rotina também fazem parte das suas necessidades, fatores que limitam bastante sua vida e suas realizações. Nesse ponto é preciso fazer uma distinção entre Transtorno de Personalidade Obsessivo-compulsivo e o Transtorno Obsessivo-compulsivo (T.O.C.), que consiste em um transtorno de ansiedade, no qual predominam obsessões e compulsões, podendo incluir comportamentos ritualísticos e que podem ou não, estar presentes no transtorno de personalidade obsessivo-compulsivo.
Podemos supor e prever o quão difícil pode ficar a situação, quando uma pessoa com transtorno de personalidade constrói uma família e sob sua responsabilidade ficam encarregados filhos e filhas, ou seres em formação que podem ser profundamente afetados pelos excessos de pais, educadores ou demais adultos incumbidos de zelar pela infância. É deste universo que podem surgir as Mães Narcisistas, Pais Abusivos, Professores Exigentes ou Perfeccionistas e demais figuras ameaçadoras que podem trazer prejuízos para as gerações posteriores.
Os transtornos de personalidade são desafiadores, mas há muitas possibilidades de tratamento, tanto psicológico, como psiquiátrico e medicamentoso (para alguns sintomas e não para o transtorno), da mesma forma que podem ser extensivos aos demais membros da família, a partir de intervenções terapêuticas que primam pela análise da dinâmica familiar e da interação transgeracional, buscando atenuar os efeitos nocivos que transtornos psiquiátricos e dificuldades psicológicas que possam vir à ter sobre as pessoas descendentes de famílias disfuncionais.

Referências Bibliográficas

1 – Manual Diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 – 5ª ed. – Porto Alegre; Artmed, 2014
2 – Mecler, K. Psicopatas do cotidiano – como reconhecer, como conviver, como se proteger. Rio de Janeiro; Casa da Palavra, 2015
3 – COMPÊNDIO DE PSIQUIATRIA Ciência do Comportamento e Psiquiatria Clínica
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAhOYQAH/kaplan-compendio-psiquiatria-2017

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