Mutismo seletivo

MUTISMO SELETIVO
O “Silêncio Involuntário”

Buscar compreender a criança com mutismo seletivo faz-se imperioso para amenizar seu sofrimento. Compreender que o mutismo assusta…isola…discrimina e machuca a criança e faz com que, à quem a queira ajudar…muitas vezes se sinta impotente. E buscar a união de forças para transcender o silêncio e o medo…e, através da paciência…e de um profundo respeito…acolher a criança e sua angústia, faz-se imprescindível.

Nesta visão de busca e superação, o presente texto se propõe a discutir as ideias básicas que podem instrumentalizar educadores, familiares e demais pessoas envolvidas com a criança que “sofre” de mutismo seletivo, a melhor acolhê-la e ajudá-la.

O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM IV), que descreve que o Mutismo Seletivo, é o fracasso persistente em falar em situações sociais específicas. Esta impossibilidade de falar seletiva, não está associado a comprometimentos de estruturas fisiológicas. Igualmente, o referido Manual estabelece como critérios de diagnóstico as seguintes características:

– Incapacidade persistente de falar em situações sociais específicas (Situações em que s espera que fale como, por exemplo, na escola) apesar de o fazer noutras situações;

– A alteração interfere no rendimento escolar ou laboral ou na comunicação social;

– A duração da perturbação é de, pelo menos, um mês (não limitado ao primeiro mês de escola);

– A incapacidade de falar não é devida à falta de conhecimentos ou de familiaridade com a língua requerida na situação social;

– A perturbação não é melhor explicada pela presença de uma perturbação de comunicação (por exemplo gaguez) e não ocorre exclusivamente no decurso de uma perturbação global do desenvolvimento, esquizofrenia ou outra perturbação psicótica.

Faz-se necessário, portanto, ressaltar que o que impede a criança de falar é um alto grau de ansiedade e não teimosia, birra, desafio ou desobediência. A criança sofre e é incapaz de compreender as razões de seu silêncio. Igualmente no âmbito científico e terapêutico, há controvérsias acerca da causa do Mutismo seletivo, gerando uma multiplicidade de abordagens e intervenções terapêuticas, algumas voltadas para a organização emocional do paciente, outras centradas no sintoma.

Mas a diminuição da ansiedade e o desenvolvimento de recursos psicológicos para uma crescente adaptação social, bem como, o desenvolvimento de recursos para enfrentar e superar os percalços sócio-emocionais decorrentes do próprio mutismo, estão sempre na pauta das diferentes abordagens psicológicas.

ESTRATÉGIAS PARA EDUCADORES DE CRIANÇAS COM MUTISMO SELETIVO:

– Estabelecer um vínculo de confiança com a criança;

Não obrigar a criança a falar, impondo situações nas quais o sentimento de ansiedade possa aumentar;

– Buscar conhecer a criança, distinguindo os ambientes e momentos que lhes são geradores de ansiedade;

– Não obrigar a criança a falar como parte de uma tarefa (Como apresentações escolares);

– Evitar que outras crianças se tornem interlocutoras da criança com mutismo;

– Caso a criança não se comunique verbalmente com nenhuma pessoa da escola, instituir o uso de cartões coloridos para pedidos importantes como “ir ao banheiro”, “ir beber água”, etc.;

– Não obrigar a criança a contatos visual ou físico, pois ela é muito suscetível a se sentir invadida;

– Quando a criança apresentar algum comportamento mais expressivo, oferecer uma recompensa, um reconhecimento que não a constranja e que a valorize;

– Conversar e estabelecer com a criança formas de comunicação, seja com gestos, cartões ou escrita;

– Propiciar um ambiente de acolhimento e respeito para que a criança possa se sentir segura e estimulada a se expressar.

Estas são algumas informações sucintas acerca de uma síndrome ainda pouco compreendida, e ainda controversa, mas que vem ganhando espaço para uma maior conscientização. Recentemente Projetos de Leis, vem sendo regulamentados, visando instituir o Dia de Conscientização do Mutismo Seletivo. Talvez uma forma de quebrar o silêncio sobre o sofrimento das crianças e adultos enclausurados no silêncio e maximizar pesquisas acerca do assunto.

Sugestões para Pesquisa

– Dr. Elisa Shipon-Blum, D.O – President & Director of the Selective Mutism Anxiety Research and Treatment Center;

– Psicóloga Elisa Maria Neiva de Lima Vieira – Fundadora do Núcleo de Estudos Psicológicos de Sorocaba;

– DSM IV – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais;

– Grupo Mutismo Seletivo: Quebre o Silêncio.

Mutismo Seletivo – Breve síntese
Psicóloga Polyana Luiza Morilha Tozati