Codependência: Quando o cuidado machuca!

CODEPENDÊNCIA: Quando o cuidado machuca!

O TERMO “CODEPENDÊNCIA”

            A Codependência é um tema relativamente recente e de difícil definição e por esta razão, torna-se mais produtivo tratar de suas características e consequências. O funcionamento das pessoas a partir deste modelo de dependência emocional, estabelece relacionamentos desajustados e viciosos, geradores de padrões rígidos de comportamentos destrutivos.

Como será visto nas próximas discussões, o estudo da Codependência surgiu da observação do comportamento de pessoas envolvidas em relacionamentos com alcóolicos, mas o comportamento codependente, sistematizado a partir desta observação, pode ser verificado em outros tipos de relacionamentos, igualmente considerados tóxicos e destrutivos, mas nos quais não há especificamente a presença de pessoas compulsivamente dependentes, seja por álcool, jogo patológico, compras, comida ou outras viciações ou adicções.

Caberia enfatizar, que é comum que as pessoas em geral se identifiquem com alguns comportamentos codependentes, pois eles não são tão extraordinários assim, mas como tudo que define qualquer disfuncionalidade psicológica, o que caracteriza a codependência está no grau de comprometimento e limitações que geram na vida dos indivíduos envolvidos.

À guisa de uma breve síntese histórica, caberia retomar a ideia de que o termo codependência surgiu na década de 70, a partir da análise do comportamento das pessoas que “cuidavam” de familiares alcoólicos, acompanhando-os aos grupos de autoajuda, criados especificamente para atenderem as necessidades de recuperação desta população. Observou-se, no entanto, que as compulsões, sejam por quaisquer substâncias ou circunstâncias, afetam não apenas o indivíduo adicto, mas todo o núcleo familiar, e em decorrência desta rede de prejuízos, as compulsões foram caracterizadas como “doenças familiares”. Como a compulsão trata da inabilidade de algumas pessoas de lidarem com seus impulsos excessivos, sucumbindo ao descontrole de suas ações adictas, é natural que gerem desordem e instabilidade no meio familiar.

            Neste contexto, Melody Beattie (1, p. 58), assim define uma pessoa codependente: “é uma pessoa que tem deixado o comportamento de outra pessoa afetá-la, e é obcecada em controlar o comportamento dessa outra pessoa.”

            Relata a autora que cunhou esta definição a partir da percepção de seu próprio sofrimento, que a levou a observar e compreender o sofrimento de outras pessoas que compartilhavam da mesma dor que a oprimia. Percebeu-se codependente e na busca de sua cura, ofereceu auxílio a muitos codependentes, em uma época na qual este nome ainda não era reconhecido.

Faz-se necessário enfatizar novamente, que o comportamento codependente não está circunscrito exclusivamente à convivência com pessoas com vícios ou compulsões, mas à quaisquer pessoas emocionalmente instáveis e frágeis, que se apresentem incapazes de gerenciar construtivamente a própria vida. Em se tratando de codependência e pelas peculiaridades do assunto, algumas ideias tendem a ser (re)apresentadas várias vezes, sempre no intuito de diferenciar conceitos e evidenciar diferenças, sejam emocionais ou comportamentais.

A GÊNESE DA CODEPENDÊNCIA

A gênese da codependência, se dá em geral, a partir da convivência com pessoas “desajustadas”, instáveis ou fora de controle e no fato da fragilidade psicológica destas pessoas induzirem  seus familiares a acreditarem que são responsáveis pelo seu comportamento compulsivo , ou seja, são filhos que acreditam que se forem perfeitos farão o pai parar de jogar; esposas que acreditam que se forem mais dedicadas cessarão com as crises violentas do marido ao voltar do bar e tantos outros comportamentos idealizados que visam persuadir uma pessoa conflitiva à mudar sua conduta. Pessoas que passam a nortear suas vidas a partir das crises e recaídas da pessoa que julgam serem responsáveis por salvar.

O aprendizado do funcionamento codependente tem seu início geralmente na infância, podendo ser considerado como uma estratégia de sobrevivência, conforme explica Melody Beattie, enquanto pesquisadora e codependente (1, p. 64):

“Começamos a nos comportar dessa maneira por necessidade de proteger a nós mesmos e para satisfazer às nossas necessidades. Fizemos, sentimos e pensamos essas coisas para sobreviver – emocional, mental e às vezes fisicamente. Tentamos compreender e enfrentar nossos mundos complexos da melhor forma. Conviver com pessoas normais e saudáveis nem sempre é fácil. Conviver com as doentes, perturbadas ou problemáticas é particularmente difícil (…)Muitos de nós tentamos lidar com situações terrivelmente ultrajantes, e esses esforços são admiráveis e heroicos. Fizemos o melhor que pudemos. 

ESTRATÉGIAS DE SOBREVIVÊNCIAS E REGRAS DESUMANAS

Infelizmente muitas destas estratégias de sobrevivência, estabelecidas comumente na infância, chamadas também de defesas psíquicas, acabam por transformar-se em mecanismos obsoletos e autodestrutivos. Acabam cristalizando comportamentos defensivos, reativos e infantis, perpetuando-os na vida adulta, quando estes já não se fazem mais necessários. O codependente não se dá conta que cresceu e que não é mais uma criança vulnerável.

Robert Subby (2, p. 31), estudioso especialista no assunto, elaborou um conjunto de regras que acredita terem sido declaradas ou veladamente impostas as pessoas codependentes na infância ou em algum momento de suas vidas, denominando-as de “regras opressivas”. Ideias que induzem as pessoas, em função de uma exposição prolongada, à não acreditarem em si mesmas e em seus direitos:

“- Não sinta ou fale suas emoções;

– Não pense;

– Não identifique, discuta ou resolva problemas;

– Não seja quem você é – seja bom, correto, forte e perfeito;

– Não seja egoísta – tome conta dos outros e negligencie a si mesmo;

– Não se divirta, não seja alegre ou goze a vida;

– Não confie em outras pessoas ou em si mesmo;

– Não seja vulnerável;

– Não seja direto;

– Não se aproxime das pessoas;

– Não cresça, não mude e de forma alguma abale a estrutura familiar.”

Dentro da psicologia é comum observar que alguns pactos familiares não são explícitos, mas todos os familiares o honram, sem que palavras tenham sido ditas para sacramentá-los. Algo como se “as paredes sussurrassem”, ordens semelhantes as regras acima descritas.

Com tantas proibições do sentir e do expressar-se, parece inevitável que os codependentes não aprendam a cuidar de si mesmos e de suas vidas, pois estão muito ocupados cuidando dos comportamentos de seu familiar com problemas. E também torna-se evidente que estas pessoas nunca consigam alcançar o ideal de dedicação e desempenho que tais regras preconizam. Logo, mensagens como: “Ninguém gosta de mim”; “Não mereço coisas boas” ou “Nunca serei bem sucedido”, são consequências de tantas exigências inumanas.

CARACTERÍSTICAS DA PESSOA CODEPEDENTE

Após uma tentativa de possíveis definições, caberia no momento, passar a elucidar as características dos codependentes e para tanto, igualmente serão usadas as formulações de Melody Beattie (1, p.17), cuja vivência de e com a codependência, a tornou capaz de dar sentido à algumas características que, de outra forma, poderiam soar como perversas ou mal intencionadas, mas que são resultantes dos equívocos emocionais anteriormente descritos. A autora assim as descreve:

“Vi pessoas hostis: elas tinham sentido tanta dor que a hostilidade era a sua única defesa contra serem esmagadas de novo. Eram raivosas porque qualquer um que tivesse tolerado o que tiveram de tolerar ficaria com tanta raiva assim.

Eram controladoras porque tudo à sua volta e dentro delas estava fora de controle. A represa de sua vida e daqueles à sua volta estava sempre ameaçando romper-se e a despejar consequências prejudiciais em todos. E ninguém além delas parecia notar ou ligar para isso.

Vi pessoas que manipulavam, porque a manipulação parecia ser o único caminho de conseguirem fazer algo. Trabalhei com pessoas dissimuladas, porque o ambiente em que viviam parecia incapaz de tolerar a honestidade.

Trabalhei com pessoas que se sentiram a ponto de enlouquecer, porque haviam acreditado em tantas mentiras que já não sabiam distinguir a realidade.

Vi pessoas tão absorvidas pelos problemas de outros que não tinham tempo de identificar ou resolver seus próprios problemas. Eram pessoas que se dedicavam tão profundamente – e muitas vezes até destrutivamente – a outras, que se esqueciam de cuidar de si mesmas. Os codependentes sentiam-se responsáveis por tantas coisas porque as pessoas à sua volta eram responsáveis por muito poucas; elas estavam apenas assumindo a carga.

Vi pessoas confusas e sofridas que precisavam de carinho, compreensão e informação. Vi vítimas de alcoolismo que não bebiam, mas mesmo assim eram vítimas do álcool. Vi vítimas lutando desesperadamente para ter algum tipo de poder sobre seus dominadores. Elas aprenderam comigo e eu aprendi com elas.”

Novamente, faz-se oportuno enaltecer a sensibilidade da autora ao descrever os comportamentos conflituosos da codependência, evitando julgar as pessoas codependentes como vilãs, uma vez que características como controladores, hostis, manipuladores e dissimulados já podem trazer em si um cunho pejorativo e, no que tange às relações humanas, toda análise deve ser relativa e circunstancial.

O CÍRCULO VICIOSO: SALVADOR – PERSEGUIDOR – VÍTIMA

As relações viciosas disfuncionais ou tóxicas, presentes na codependência, alicerçadas nos papéis de Salvador, Perseguidor e Vítima, são chamadas de “Triângulo de Dramas de Karpman”, elaborado Stephen B. Karpman, para descrever a interação destes papéis e consiste em uma ferramenta para melhor compreender o envolvimento codependente nos relacionamentos afetivos e avaliar porque as suas boas intenções não surtem os resultados positivos que esperavam.

Karpman elaborou a figura de um triângulo invertido, no qual o Perseguidor costuma ficar no vértice à esquerda, o Salvador à direita e a Vítima no vértice inferior do triângulo.  Neste triângulo invertido, as setas indicam sentidos opostos, demonstrando que os papéis podem ser trocados. Para compreender a interrelação destes papéis, no qual um pode desencadear o outro, faz-se necessário compreender o funcionamento individual de cada um dos envolvidos.

SALVADOR

Sobre o papel de salvador, o terapeuta Scott Egleston (1, p. 107), explica o que exatamente significa o termo salvar: “salvamos sempre que assumimos a responsabilidade por outro ser humano – pelos seus pensamentos, emoções, decisões, comportamento, crescimento, bem-estar, problemas, ou destino.” E para detectar um Salvamento, pode-se usar alguns indicadores, destacando as sensações que apresentam o Salvador após “tomar conta” de qualquer pessoa que eleja salvar:

Frente a uma pessoa com problema, o Salvador sente-se confrangido à fazer algo, como se tal responsabilidade fosse de sua competência. Sente-se responsável pela pessoa e por suas necessidades, mesmo que esta não tenha solicitado ajuda. Uma ansiedade difusa, um medo e uma necessidade de algo fazer, trazem um desconforto e um dilema.

Caso não siga seu impulso de apropriar-se do problema do outro, uma culpa dele se apodera, induzindo-o a compulsivamente reagir a pessoa ou circunstância problemática. Um certo sentimento de santidade envolve o salvador, fazendo-o sentir-se mais apto e qualificado para a resolução das dificuldades do indivíduo a ser alvo, o qual considera inapto e incapaz.

Paradoxalmente, este anseio de salvar, vem acompanhado de uma relutância velada, que o faz sentir-se aprisionado à necessidade de salvar, gerando ressentimentos, hostilidade, com uma sensação de obrigação que retira toda a possibilidade de uma ajuda espontânea e construtiva.

E acima de tudo, num salvamento é necessária a ilusão ou certeza de que a pessoa a ser salva é completamente incapaz de fazer o que o salvador está fazendo por ela. Necessário novamente se torna enfatizar que este ato de ajuda “salvadora” é diferente do ato de amor, bondade, compaixão e ajuda genuínos, pois além de estar ancorado numa necessidade do codependente, tende a fragilizar e tornar a pessoa a ser salva como impotente, transformando-a em vítima.

VÍTIMA

Na dinâmica do triângulo de dramas, a vítima está pendurada na ponta inferior do triângulo, ávida para ser salva. Comporta-se como incapaz, impotente e necessitada e neste contexto, nem vítima, nem salvador acreditam que ela realmente seja capaz de responsabilizar-se por si mesma. Após o salvamento desta vítima pseudo indefesa, no entanto, é comum surgir por parte do salvador um ressentimento por ter sido “obrigado” a salvá-la e então, o perseguidor começa a se manifestar.

PERSEGUIDOR

Nesta etapa, nova contradição emerge, pois como o salvador necessita ter controle sobre a vítima, caso esta não seja suficientemente submissa e cordata, este passa a sentir-se contrariado e ressentido e automaticamente o papel do perseguidor é desencadeado, em outras palavras, quando o salvador se dá conta do quão generoso e magnânimo se portou para ajudar a vítima, e o quanto ela não se comporta da forma devotadamente esperada, surge o perseguidor.  Quando o perseguidor emerge, percebe-se que a relação não está funcionando de forma satisfatória, pois neste papel, a pessoa passa a externar certa hostilidade, mau humor, irritação e ressentimento em relação a vítima, ainda que busque mascarar para si mesmo e para a vítima, estes sentimentos destrutivos.

A vítima, por sua vez, percebe a hostilidade do perseguidor, sente-se ressentida, passando a insubordinar-se e a confrontar aquele que a considerou inapta. Neste momento, se dá a inversão de papéis, a vítima passa a ser perseguidora e o perseguidor indignado passa a ser vítima, do que considera uma injustiça. O antigo salvador, agora vítima, sente-se usado, não reconhecido, imerso em sentimentos de desespero, mágoa, tristeza, vergonha e autocompaixão.

Em algum momento de sua vida, os codependentes estiveram verdadeiramente na situação de vitimização de um familiar desajustado, e esta manobra inconsciente de salvar, perseguir e tornar-se vítima, acaba por perpetuar a sensação de vazio, abuso ou abandono, vivido na infância ou em alguma época anterior de sua vida, quando efetivamente estava em uma situação vulnerável.

As queixas comuns dos salvadores presos neste triângulo de dramas portanto, são as de se sentirem explorados e negligenciados pela insensibilidade dos demais para com suas necessidades, ainda que apresentem muita dificuldade em receber atenção ou ajuda, pois para eles, dar e tentar satisfazer os outros é mais seguro do que permitir-se receber auxílio ou acolhimento dos demais. Difíceis também, são a sensação de rejeição e menos valia que acompanham o codependente salvador quando sua intervenção não é aceita, quando alguém se recusa a ser “ajudado”.  Sobre estes sentimentos contraditórios, alerta Melody Beattie (1, p. 114):

Contudo, lá no fundo da maioria dos salvadores há um demônio: a baixa auto-estima. Salvamos porque não nos sentimos bem com nós mesmos. Tomar conta nos proporciona uma sensação temporária de bem-estar, de valor próprio e de poder, embora seja um sentimento transitório e artificial. Assim como um gole ajuda o alcóolico a sentir-se momentaneamente melhor, um salvamento nos distrai momentaneamente da dor de ser quem somos. Não nos sentimos merecedores de amor, então nos conformamos em ser necessitados pelos outros. Não nos sentimos bem sobre nós mesmos, então nos sentimos compelidos a fazer algo para ‘provar’ que somos bons. Em síntese, baixaestima e o exílio de si mesmo, aprisionam a pessoa codependente neste triângulo de dramas.

CONTRADIÇÕES EMOCIONAIS E VULNERABILIDADE 

A partir da percepção das contradições emocionais dos codependentes, pode-se compreender seu estado de vulnerabilidade. Nas palavras da autora (1, p. 68): “A co-dependência é muitas coisas. É a dependência das pessoas – em seus humores, comportamentos, doenças ou bem-estar, e seu amor. É paradoxal. Os codependentes parecem ser pessoas das quais se depende, mas são dependentes. Parecem fortes, mas se sentem desamparados. Parecem controladores, mas na realidade são controlados, às vezes por uma doença, como o alcoolismo.”

As contradições emocionais até o momento descritas, serão a bússola que ditará a recuperação do estado de sofrimento do codependente. A tomada de consciência e aceitação do caráter dependente e, de certa forma, pouco construtivo de seus relacionamentos, aliado ao acolhimento de suas necessidades emocionais, serão as molas propulsoras da transformação e da superação da codependência. Processos de crescimento pautados na máxima de que “cada pessoa é responsável por si mesma.”

LIBERTAR-SE!

Uma reflexão de Artur da Távola (3, p. 58), pode resumir esta busca de si mesmo: “O encontro e a ocupação do próprio espaço implica a descoberta (tranquila ou dolorosa) do que é realmente nosso e do que é dos outros e ficou preso dentro de nós. Aí está uma das descobertas fundamentais do ser humano.

Descobrir e ocupar o próprio espaço é encontrar a verdade existencial: do bom e no ruim que tenhamos. É ocupar com material próprio tudo o que somos e fazemos. É encontrar e seguir o próprio destino. Não o Destino, no sentido fatalista. Mas o destino no sentido da destinação profunda do que somos, fazemos e queremos.”

SUPERANDO A CODEPENDÊNCIA: Aprendendo a cuidar de si mesmo!

Inicialmente, faz-se necessário novamente, enfatizar e esclarecer que compreender a codependência é empreender uma tarefa difícil, devido ao universo emocional pouco preciso e multifacetado em que está inserida, consequência das inúmeras sutilezas com as quais o tema se reveste, apesar da riqueza de informações que os autores empenhados nesta tarefa de esclarecimento oferecem.

Talvez no anseio de buscar formas de intervenções terapêuticas, algumas ideias que tenham ficado obscuras na parte anterior desta discussão, possam ser esclarecidas. Portanto, ideias referentes à descrição do funcionamento codependente ainda se farão presentes, mescladas com as propostas de “cura” ou superação.  Caberia enfatizar que a proposta do texto que ora se apresenta, é a de evidenciar os aspectos que propiciam a libertação desta dinâmica codependente, levando os indivíduos nela enredados a aprenderem a viver e responsabilizar-se pelas suas próprias vidas, permitindo desta forma que outras pessoas, com as quais convivem, façam o mesmo.

“DEPENDÊNCIA” E “DES-DEPENDÊNCIA”

“Des-dependência”, foi um termo cunhado por Penelope Russianoff (1, p. 137) para descrever um “equilíbrio saudável”, no qual “reconhecemos e satisfazemos nossas necessidades saudáveis e naturais de pessoas e de amor, mas não nos tornamos dependentes delas de forma exagerada e artificial.” E este processo de desdependência é uma das conquistas fundamentais para o indivíduo enredado no processo codependente.

Mas, para com mais propriedade abordar a “desdependência”, faz-se necessário tratar primeiramente da manifestação da “dependência” nos relacionamentos interpessoais, entender quais características exprimem que um relacionamento está sendo regido por ela e não pelo Amor.

Muitas vezes, a dependência emocional portanto, confunde-se com amor, e como a busca do “amor” é a mola propulsora e o ideal que move os relacionamentos, as pessoas tornam-se muito vulneráveis a confundi-los. Logo para mensurar a grau e a qualidade do amor, é preciso buscar a intenção inconsciente que move um relacionamento, trazer para a consciência as verdadeiras motivações que regem suas interações. Se a intenção for aplacar uma carência de si mesmo, então é dependência e não amor. Quando a relação está no âmbito do suprir e não no de acrescentar, então é dependência. Melody Beattie (1, p. 149-150,) propõe uma tabela para demonstrar a diferença entre uma relação de Amor, caracterizada por um sistema aberto e uma relação viciosa, ancorada em um sistema fechado:

 

 

 

AMOR (Sistema Aberto)

 

– Espaço para crescer, expandir-se, desejo que o outro cresça.

 

 

 

 

– Interesses distintos; outros amigos; manutenção de outras amizades significativas.

 

– Encorajamento de cada um para o crescimento do outro; segurança quanto ao próprio valor.

 

 

– Confiança; abertura.

 

 

– Integridade mútua preservada.

 

 

– Desejo de arriscar e ser real.

 

 

– Espaço para a exploração de sentimentos dentro do relacionamento.

 

– Capacidade de gostar de estar sozinho

 

VÍCIO (Sistema fechado)

 

– Dependente, baseado na segurança e no conforto; usa a intensidade da carência e da paixão como prova de amor (pode na realidade ser medo, insegurança, solidão).

 

– Total envolvimento; vida social limitada; negligenciamos antigos amigos e interesses.

 

– Preocupação com o comportamento do outro; dependência da aprovação do outro para estabelecer a própria identidade e o próprio valor.

 

– Ciúme, possessividade, medo de competição, “suprimentos de proteção”.

 

– As necessidades de um são suprimidas em função das do outro; autoprivação.

 

– Busca da invulnerabilidade total – elimina possíveis riscos;

 

– Reafirmação através de atividades repetitivas e ritualizadas.

 

 

– Intolerância – incapaz de suportar separações (mesmo quando em conflito); aprende-se cada vez mais. Carências – perda de apetite, insônia, agonia letárgica e desorientada.

 

 

 

            Como o relacionamento dependente está a serviço das carências e vulnerabilidades, natural se torna que pessoas codependentes tenham dificuldades de superar rompimentos, conforme prossegue a tabela abaixo (1, p. 150):

 

TÉRMINO DE UM RELACIONAMENTO

 

 

 

AMOR (Sistema aberto)

 

– Aceita o fim de um relacionamento sem sentir perda da própria adequação e valor próprio.

 

– Deseja o melhor para o outro, mesmo quando distantes; podem tornar-se amigos.

 

 

VÍCIO (Sistema fechado)

 

– Sente inadequação, falta de valor; a decisão é geralmente unilateral.

 

 

– Término violento – quase sempre odeiam um ao outro; tentam magoar-se; manipulam para ter o outro de volta.

 

Caso a pessoa codependente não encontre pessoas complementares, com potenciais de estabelecerem relações disfuncionais ou tóxicas como ela, o relacionamento não se estabelece, mas o codependente pode sofrer sozinho por uma relação imaginária que o aprisiona. O vício se estabelece a partir de uma relação impossível, que serve de gatilho, não de justificativa, para eliciar comportamentos destrutivos e disfuncionais característicos, conforme demonstra a tabela abaixo (1, p. 150):

 

VÍCIO DE UM SÓ LADO

 

VÍCIO (Sistema fechado)

 

– Negação, fantasia; superestima do compromisso do outro.

 

– Procura soluções fora de si – drogas, álcool, novo amante, mudança de situação

 

A discussão das peculiaridades do relacionamento dependente, que é o eixo básico da codependência, precisou ser devidamente explicitado porque fornecem dados norteadores para o estabelecimento de um programa de recuperação. E a seguir, serão apresentados alguns caminhos para a autossuperação, a partir de algumas estratégias de libertação (1, p. 13-18):

O primeiro passo prático para libertar-se da codependência, consiste em compreender a extensão e a natureza da dependência que atrela uma pessoa à outra ou a uma circunstância, mensurando se a dependência se dá a nível emocional ou financeiro ou a ambos. Caberia elucidar que dependência financeira não representa codependência, deste que a dependência financeira não seja usada como meio de coerção, humilhação ou prisão.

INFÂNCIA: “CRIANÇA INTERIOR FERIDA”

No âmbito psicológico, um dos primeiros passos a caminho da independência emocional é a percepção de aspectos da infância que ainda podem estar ditando comportamentos na vida adulta, os chamados “assuntos interminados” ou “situações inacabadas”, que impelem a pessoa a repetir situações traumáticas ou frustrantes não resolvidas da infância e que em uma tentativa de possível superação, tendem a serem reeditadas na vida adulta na busca de serem redimidas.

Este retorno à infância geralmente, traz a criança interior ferida (3), que se sentiu carente e vulnerável e que permanece perdida e confusa, necessitando que o adulto que “cresceu” a acolha. Identificar as dificuldades não resolvidas da infância e amparar a criança interior são compromissos terapêuticos e libertadores.

RESGATAR A POSSIBILIDADE E O DIREITO AOS SENTIMENTOS

Esquivar-se das dores desta criança interior e de sentimentos dolorosos, são atitudes características dos indivíduos codepedendes, portanto, encoraja-los a entrar em contato com seus sentimentos, entendendo que não está nos problemas dos outros, a solução ou esquecimento de suas dores, são atitudes temidas, mas necessárias.

Igualmente, os codependentes podem e devem aprender a enfrentar seus próprios problemas ou aprender a conviver com eles – enquanto não é tempo ou as circunstâncias o impeçam de fazê-lo – levando-os também a identificar e a lidar com seus próprios sentimentos, sejam bons, desagradáveis ou desafiadores.

DIREITO AOS SENTIMENTOS E “CORAJOSA VULNERABILIDADE”

O medo é um destes sentimentos desagradáveis e ameaçadores que impedem as pessoas codependentes de serem afirmativas, de expressarem suas necessidades, de assumirem quem realmente são e de realizarem suas escolhas. Para enfrentar o medo, Colette Dowling (4, p.22) fala de uma corajosa vulnerabilidade”, ou seja, quando “você sente medo mas, de qualquer maneira, faz.” O importante é não negar o medo mas, com e apesar dele, realizar sua vida. Muitas mulheres evitam romper relacionamentos destrutivos ou insatisfatórios pelo medo que sentem, e, por ignorarem que é possível sentir medo e, mesmo assim agir. Ignoram que coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de enfrenta-lo e suportá-lo, priorizando a si mesma.

Portanto, o medo e outros sentimentos desagradáveis surgirão inevitavelmente do processo de des-dependência, porque transformações e mudanças se farão necessárias e as mudanças geram perdas, que também terão que ser digeridas com sabedoria e consciência. Até mudanças positivas geram perdas, então é possível imaginar como é difícil abandonar o funcionamento conhecido e repetitivo de toda a existência, mesmo que disfuncional, para buscar novas e saudáveis formas de relacionar-se com as pessoas e com a vida.

DIREITO À TRISTEZA

Resgatar o direito à tristeza é uma necessidade, principalmente porque nos últimos anos tem surgido uma ditadura da felicidade, com uma exigência de que todos sejam extrovertidos, animados e felizes. Há um dever de felicidade, no qual deve-se fazer os filhos felizes; deve-se trocar de parceiro(a), caso o casamento não seja mais empolgante, ou ainda, deve-se deletar um amigo, caso a amizade não lhe interesse mais.

Há uma tendência inclusive, de evitar os sentimentos de perda e tristeza decorrentes do término de uma relação amorosa, fazendo das “baladas” e do “agito”, refúgios para esquecer ou “partir para outra”. Nesta hora, as tantas canções de “fossa” ou “bad”, tornam-se obsoletas e não mais acolhem os amores perdidos como outrora.

A tristeza não é necessariamente a contraposição da felicidade, pois a felicidade de autoconquistar-se chega, muitas vezes, mesclada com um certo pesar…pesar pelas ilusões que antes nutriam e agora intoxicam…pesar pelo que “foi sem nunca ter sido”…um pesar que pode ser chamado também de “processo de tristeza”, ou seja, quando a tristeza é vivenciada na sua totalidade para romper amarras,  vivenciada como processo e como tal, realizada em etapas, organizadas e didaticamente divididas por Elizabeth Kübler-Ross, a primeira autora a identificar e a nomear este processo.

Este “processo de tristeza” compõem-se de momentos difíceis, nos quais muitos sucumbem, desistem de suas buscas e voltam aos antigos padrões de funcionamento disfuncionais. Na psicoterapia, estes processos são desafiadores e exigem do cliente muita “corajosa vulnerabilidade” e determinação. Nas palavras de Melody Beattie (1, p. 177):

“(…)os profissionais de saúde mental têm observado as pessoas atravessarem esses estágios sempre que enfrentam qualquer perda. Pode ser uma perda pequena – uma nota de cinco dólares, não receber uma carta esperada – ou pode ser significante – a perda de um cônjuge por divórcio ou por morte, ou a perda de um emprego. Até as mudanças positivas trazem perda – quando compramos uma nova casa e nos mudamos da antiga – e exigem uma progressão através dos cinco estágios seguintes.” Etapas difíceis, mas redentoras:

OS ESTÁGIOS DO “PROCESSO DE TRISTEZA”

O primeiro estágio é o da negação e as reações características desta fase são:  recusa à acreditar na realidade; negar ou minimizar a importância da perda; negar quaisquer emoções sobre a perda; ou a fuga mental, por intermédio de comportamentos compulsivos, ideias fixas ou respostas emocionais inapropriadas, devido ao fato da pessoa encontrar-se temporariamente desligada de suas emoções. Conforme explica o psicólogo Noel Larsen (1, p.178): “Negação não é mentir, é não permitir a si mesmo saber qual é a realidade.”

E acrescenta Melody Beattie (1, p. 179): “A negação é o amortecedor da alma. É um instinto e uma reação natural à dor, à perda e à mudança. Ela nos protege. Guarda-nos dos reveses da vida até que possamos juntar nossos outros recursos para lidar com isso.” Aprender e desenvolver estes recursos interiores de enfrentamento emocional é, portanto, uma das tarefas de recuperação dos codependentes para promoverem e manterem as mudanças necessárias.

O segundo estágio é o da raiva. Uma raiva razoável ou irracional pode surgir. Com esta raiva muitas vezes surge a necessidade de descarregá-la no meio externo, culpando alguém ou a si mesmo pelos fatos até então negados. Uma profunda decepção e raiva pode surgir quando a pessoa codependente percebe os engodos em sua vida. Neste momento novamente, muita determinação é necessária para que a pessoa não se deixe conduzir por uma raiva irracional, geradora de atitudes destrutivas em relação ao meio ou a si mesmas. Ou para evitar que se enclausurem numa culpa e autodepreciação improdutivas e disfuncionais.

O estágio da negociação surge quando a pessoa tenta barganhar com a situação, propondo aos outros ou a si mesma soluções para evitar ou minimizar sua dor. Suas soluções podem ser razoáveis e construtivas, como procurar ajuda profissional, por exemplo, ou serem irracionais, como o pensamento de certa forma mágico do codependente, ao acreditar que seus comportamentos são determinantes da doença ou da recuperação do dependente, ideias tais como, “caso eu me comporte e seja bonzinho, meu pai não sairá para beber.”

Frente a constatação do inevitável e malogradas todas as tentativas de esquivar-se da realidade, surge o estágio da depressão.  Para Esther Olson (1, p. 180), terapeuta familiar especializada em tristeza “esse estágio do processo começa quando modestamente nos entregamos (…) quando começa o ‘processo do perdão’. Isso só desaparecerá quando todo o processo for completado.” A partir da entrega emocional, pode surgir o choro redentor, no qual as lágrimas lavam e adubam a terra da Alma para novas semeaduras.

E deste conflituoso jogo de emoções, surge o estágio da aceitação. É o estágio no qual pode-se organizar os acontecimentos, efetuar e ajustar as mudanças que se façam necessárias. A perda ou as mudanças se tornam parte da vida, passíveis de serem encaradas, conciliadas e integradas.

Este processo de tristeza e a vivência de cada estágio são necessários, mas às vezes não se consegue vivenciá-los de forma linear, pois os estágios podem se justaporem ou se alternarem, porém o importante é que sejam vividos na sua integridade e intensidade, dentro do que é possível e suportável para cada ser humano, no seu próprio ritmo e potencial de superação.

O psicólogo Donald L. Anderson (1, p. 183) escreveu: “Saudáveis são os que sentem tristeza. Apenas muito recentemente começamos a descobrir que negar a tristeza é negar uma função da natureza humana e que tal negação às vezes produz consequências diretas. A tristeza como qualquer emoção verdadeira, é acompanhada por certas mudanças físicas e pela libertação de certa energia psíquica. Se essa energia não for liberada no processo normal da tristeza, torna-se destrutiva dentro da pessoa (…)Qualquer fato, qualquer conscientização que contenha uma sensação de perda podem, e devem, ser sentidos. Isso não significa uma vida de incessante tristeza. Significa estarmos dispostos a admitir uma emoção honesta, em vez de sempre ter de rir da dor. Admitir a tristeza que acompanha qualquer perda não é apenas permissível – é uma opção saudável.”

Após a explanação da importância da vivência saudável das emoções, sejam elas agradáveis ou desconfortáveis, faz-se necessário retomar alguns aspectos importantes das emoções costumeiramente vividas pelos codependentes. Em geral, pelo medo das emoções verdadeiras, oriundas dos confrontos reais com a realidade, estas pessoas tornam-se reféns de emoções descontroladas, por serem reativas e infrutíferas.

DIFERENÇA ENTRE AGIR E REAGIR

Atitudes reativas serão caracterizadas no presente estudo, como aquelas respostas comportamentais ou emocionais que são essencialmente eliciadas pelo comportamento dos outros. Respostas impulsivas e irrefletidas, cerceadas por um padrão mínimo de opções emocionais e/ou comportamentais, uma vez que o indivíduo encontra-se aprisionado em suas premissas codependentes de responder prontamente à qualquer demanda do meio. Ao contrário, do agir, quando as pessoas tem possibilidade de elaborar uma resposta mais adaptada às situações, encontrando-se mais livres para elaborar uma resposta, a partir do uso equilibrado da razão e da emoção.

Caberia questionar se o reagir não é uma atitude natural nas relações humanas e, novamente é preciso enfatizar que a diferença entre reagir ocasionalmente, encontra-se nos excessos, na impossibilidade de escolhas, na rigidez das respostas, esclarecendo que o codependente aprende somente à reagir e a nunca perceber a si mesmo ao reagir instantaneamente, tornando-se marionete, uma pessoa manobrada pelo comportamento dos outros, não permitindo nunca a não reação. Conforme elucida Melody Beattie (1, p. 97):

“A maioria dos codependentes é reacionária. Reagimos com raiva, culpa, vergonha, ódio de nós mesmos, preocupação, mágoa, gestos controladores, cuidado, depressão, desespero e fúria. Reagimos com medo e ansiedade. Alguns de nós reagimos tanto que chega a ser doloroso estar perto de alguém, e torturante estar em grandes grupos de pessoas. (…) Mantemo-nos sempre em estado de crise – a adrenalina flui e os músculos se retesam, prontos para reagir a emergências que geralmente não são emergências. Se alguém faz algo, precisamos dizer algo de volta. Se alguém se sente de determinada maneira, precisamos sentir-nos de determinada maneira.”

Há um ditado popular que adverte que as pessoas “nunca devem reagir com a lágrima quente” e é exatamente esta reação impensada e intempestiva que rege os comportamentos reativos na codependência. Ao apenas reagir, as pessoas codependentes perdem seu poder de pensar, de sentir, e de elaborar respostas adequadas à intenção ou a intervenção de outras pessoas. Para se tornar menos reativos, os codependentes precisam contextualizar e relativizar as ações das outras pessoas. Seguem algumas orientações de Melody Beattie (1, p. 100):

“- Não temos que considerar o comportamento de outras pessoas como reflexo de nosso valor próprio;

– Não temos de considerar a rejeição como um reflexo de nosso valor próprio;

– Não temos que levar tudo para o lado pessoal;

– Não temos, tampouco, de tomar as pequenas coisas como afrontas pessoais.”

            Em suma, trata-se de tirar o poder que o codependente dá às outras pessoas, apropriando-se do seu próprio valor, de suas escolhas e de si mesmo.  E a partir desta conquista, pode aprender a apenas agir pautado em suas necessidades emocionais saudáveis e de forma autocentrada, percebendo sua individualidade e desenvolvendo uma capacidade de desligar-se das carências excessivas que os enredam constantemente às necessidades dos demais.

A ARTE DE DESLIGAR-SE

            Portanto, outro padrão similar e, de certa forma, intrínseco ao comportamento reativo, é o da intensa ligação emocional ou apego excessivo, que no presente estudo trata-se de sinônimo de “envolver-se demais”, algo parecido com o não distinguir a si mesmo ou suas reações das demandas das outras pessoas. No contexto da dependência química e da codependência consequentemente, usa-se muito o termo desligamento, ou seja, o ato de não sentir-se responsável pelas atitudes do outro, de não ficar refém de crises ou recaídas.

A atitude dos codependentes à sugestão de desligamento é bastante reativa, gerando interpretações reacionárias, que os levam a associar tal atitude com frieza, insensibilidade ou abandono do outro. O medo suscitado pela possibilidade de desligar-se de seu objeto de apego excessivo, leva-os a traduzirem desligamento como desamor, mas ao contrário do que parece, desligar-se talvez seja uma ampliação deste amor, permitindo que o codependente ame a si mesmo, ame a pessoa com a qual está envolvido e ame a própria vida. Há a ampliação e a legitimidade de amar.

Outra libertação importante que o desligamento promove é a retirada da necessidade de “ter que” fazer, sentir ou se preocupar. Liberta de todas as obrigações que atormentam e escravizam a codependência. Segundo a autora (1, p. 91):

Desligamento não significa que não nos importamos. Significa que aprendemos a amar, a nos importar e a nos envolver sem ficarmos loucos. Paramos de criar todo esse caos em nossas mentes e em nossos ambientes. Quando não estamos nos debatendo ansiosa e compulsivamente, nos tornamos capazes de tomar boas decisões sobre como amar as pessoas e como resolver nossos problemas. Ficamos livres para nos importar e amar de maneira a ajudar aos outros sem ferir a nós mesmos.

(…)Encontramos liberdade para viver nossa própria vida sem excessos de culpa ou de responsabilidade para com outros. Às vezes, o desligamento até motiva e liberta as pessoas à nossa volta para que comecem a resolver seus problemas. Paramos de nos preocupar com elas; elas se dão conta e finalmente começam a se preocupar consigo mesmas. Que grande plano. Cada um tratando da própria vida.

LIBERDADE

            A partir do exposto portanto, pode-se perceber que todas as estratégias para a superação da codependência trazem a ideia da liberdade. Uma leveza e uma concepção mais saudável e construtiva da vida.

A única pré-condição, no entanto, é que haja o desejo e o engajamento genuíno da pessoa codependente para percorrer sua jornada de libertação. E que a perseverança acompanhe a caminhada e a paciência e a autocompaixão acolham as possíveis recaídas.  A frase de Trina Paulus (2, p. 106) pode resumir o poder e a força de uma real intenção de crescimento:

“‘Como alguém se transforma em borboleta?’, perguntava ela pensativamente.

            ‘Você deve desejar tanto voar que se dispõe até a deixar de ser lagarta.”

                        Muitas pessoas codependentes externam uma consternação e profunda decepção ao perceberem suas porções ainda lagartas…mas cabe lembrar que é da natureza humana em evolução, possuir porções da personalidade em estado de lagarta, outras em casulo ou outras até, em pleno voo. Todas coexistindo em maior ou menor grau, motivadas e direcionadas para o crescimento e para a autossuperação.

REFERÊNCIA BIBLOGRÁFICA (PRIMEIRA PARTE DO TEXTO)

1 – Beattie, Melody. CODEPENDÊNCIA NUNCA MAIS: pare de controlar os outros e cuide de você mesmo.. 16ª ed. – Rio de Janeiro; BestSeller, 2013

2 – Beattie, Melody. PARA ALÉM DA CODEPENDÊNCIA: deixe de ser codependente de um vez por todas – 4ª ed. – Rio de Janeiro; BestSeller. 2012

3 – Távola, Artur da. ALGUÉM QUE JÁ NÃO FUI. 5ª ed. Rio de Janeiro. PLG. 1979

REFERÊNCIA BIBLOGRÁFICA (Segunda parte do texto: SUPERANDO  A CODEPENDÊNCIA)

  1. Beattie, Melody. CODEPENDÊNCIA NUNCA MAIS. 16ª ed. – Rio de Janeiro; BestSeller, 2013
  2. Beattie, Melody. PARA ALÉM DA CODEPENDÊNCIA: deixe de ser codependente de um vez por todas – 4ª ed. – Rio de Janeiro; BestSeller. 2012
  3. MONOGRAFIA: “A Maldição Familiar no Abuso Sexual Incestuoso e nos Maus- Tratos” – Uma proposta de Cura) – site “refletindoapsicologia.com”
  4. Colette. COMPLEXO DE CINDERELA. Círculo do Livro. São Paulo. 1981